Descobertas fazem parte da nossa vida. Nada é tão falível quanto o ser humano. Quando descobri que não agradava a todos, naquelas ilusões adolescentes de quem quer ser infinitamente popular, fiquei triste. Quando percebi que é bem melhor ser alegre do que ser triste, fiquei feliz. Quando descobri que é amando que se é amado, fiquei ansioso por amar de novo. O tempo passa, e com ele, algumas das melhores e das piores coisas que temos. Sábio é quem, do tempo, tira proveito.
Descobri que não sou tão paciente quanto achava que era. Nesta semana fui à casa da minha filha. Conversamos, brincamos, nos beijamos, tudo em doses cavalares. Aí deu a hora de ela fazer sua lição...aí foi que me descobri impaciente, chato e implicante. Minha filha está acostumada com o modo de como a sua mãe faz as coisas. Pois bem...na tentativa de ajudá-la, tentei fazer as coisas da minha maneira. Talvez por estranheza, ou manha, a Bruna não me obedecia, simulando choros e bicos. Então me descobri falível. Perdi a paciência e disse a ela que, se quisesse ajuda em sua lição, que pedisse à mãe. E fiquei mais bicudo do que minha filha, em seus quase seis anos. Uma cena ridícula.
Mas o tempo vem e leva consigo as suas melhores e piores coisas. Sábio é quem, do tempo, tira proveito. Às vezes, é necessário uma boa queda para tirá-lo da sua zona de conforto. Fiquei pensando se eu amava a minha filha do jeito que penso que amo. Quase entrei em crise, exagerando as proporções dos acontecimentos. Mas não...sou um ser humano falível, e falhando vou aprendendo. Aprendendo que às vezes é necessário colocar-se no lugar do outro para tentar interpretar seus sentimentos. Se me viesse à cabeça o gesto humilde de perguntar à sua mãe como é a rotina da minha mimada filha, e de que forma elas fazem lição juntas, talvez eu teria mais sucesso e menos tristeza. Mas sábio é quem entende o tempo, e proveito tira. Da próxima vez, serei mais nobre e menos infantil. Vim para casa, liguei meu rádio na Eldorado e descobri Esperanza Spalding. E vi que o saldo foi positivo. Ainda bem que sou falível.
Uma amiga blogueira me atentou para uma coisa que eu considero maravilhosa: uma garota de treze anos elogiando meu texto. Não é porque ela está lendo meu blog, e sim pelo motivo de a garota ter treze anos e se interessar por escrever. Não me lembro do que eu estava fazendo aos treze anos. Tá certo que em 1983, nem existiam computadores no Brasil. O que existia era um monstro chamado "reserva de mercado", cujo significado pode ser traduzido como um NÃO às importações. Sem importações, sem computadores. Mas isso não é desculpa...se essa garota não tivesse um computador, aposto que estaria escrevendo em seu diário.
Minha filha fará seis anos em outubro. Eu tenho muito orgulho dela. Maneja um mouse como se fosse uma extensão do seu corpo, está aprendendo a ler e já conhece as letras do alfabeto. Se quer escrever algo, a mãe soletra e ela escreve o que quer. É linda. Semana passada, ela veio em casa. Nunca tinha visto um notebook, e, quando pode manuseá-lo, ficou encantada. Pediu para levá-lo na sua casa hoje, para poder brincar com ele. Outro dia, no blog http://noir.romance.zip.net/, li um post citando uma entrevista da revista Superinteressante. O entrevistado é contra a internet e classifica esta geração como "a mais burra de todos os tempos". Tenho visitado muitos blogs por aí. Dificilmente leio algo que realmente valha a pena. Vejo muito blog preocupado mais com aparência do que com conteúdo. Um dia, uma garota comentou que "eu escrevo demais", e que tinha preguiça de ler. Lamentável. Mas acho que essa geração não pode ser chamada de a mais burra de todos os tempos por um motivo: esses jovens têm toda a informação que quiserem a apenas um clique. Nos meus treze anos, só haviam televisão, rádio e jornal, censurados pela ditadura vigente. Se uma garota de treze anos mantém um blog, e lê um cara que "escreve demais", só pode ganhar parabéns.
Hoje vou à casa da minha filha. Levarei comigo meu notebook para fazer a alegria dela. Quero que aos treze anos, ou menos, ela tenha seu blog, ou sei lá o que surgirá daqui a sete anos. Bendito seja o computador e todas as maravilhas tecnológicas que surgiram e surgirão.