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Na maioria das vezes, sonhos são um lugar que a nossa mente alcança sem o acompanhamento do corpo. Sonho é um lá que não se chega. Onde, no caminho, a mente e o corpo separararm? Para se alcançar um sonho, é preciso persistência e dedicação. Ao longo da vida, temos centenas deles. Aos 40, sonhava em ter uma família estabelecida. Dedicação em meu casamento não me faltou, mas, caso persistisse, faria pessoas infelizes. Em muitos casos, os sonhos se realizam e se acabam. E é necessário um intervalo na vida para se acordar, e depois voltar a sonhar. Às vezes, o mesmo sonho não cabe na mesma alma. Uma vez acordada, a alma se aquieta. Não há espaço para o mesmo sonho; então, a experiência o substitui. Isso é o que chamam maturidade.

Às vezes penso em me casar novamente, mas aí não é sonho: é experiência. E é ela quem falará mais alto quando eu vir minha esposa toda linda, se penteando ao espelho, cabelos molhados, toalha enrolada ao corpo. Elogiar-lhe-ei em nome da experiência de quem nunca teve coragem de encantar minha ex-companheira por pura bobagem. Quando se tem em mente ações que podem mudar a ordem das coisas, não há porque silenciá-las: liberte-as! Na morte da minha bisavó, estavam lá todas as pessoas criadas por ela, primos, tios, filhos e netos. E bisnetos. Ocorreu-me a idéia de, quando o caixão descesse à cova, aplaudir pessoa tão útil à criação de todos os presentes...por timidez, calei minhas palmas. Até hoje penso o quanto ela mereceu aquela homenagem, mesmo que eu a aplaudisse sozinho, sem o acompanhamento de ninguém. Naquele momento, eu tive uma idéia que poderia ter mudado algo, mesmo que somente em mim, mas me calei. Agora penso que, toda vez que eu puder fazer a diferença, farei.

Dia desses, passei uma noite acordado na companhia de amigos, bebendo e falando bobagens. Dia seguinte era domingo, dia internacional da minha filha. Cansado e sonolento, quase fui para casa, desperdiçando uma tarde com ela. Vencendo a mim mesmo, fui vê-la, e brincamos, e saímos, e almoçamos fora. Só retornei à minha casa de noite, depois de passar num fast-food que tem aqueles brinquedos que ela tanto adora. Deitado na cama, pecebi o quanto valeu-me o esforço, só para ver o seu sorriso. Acho que a única coisa que faço direito é ser pai. Não sei descrever o que é isso. Só sendo pai se conhece de fato o que é se doar. É dar sem ter mais o que dar, e mesmo assim, continuar se doando. Ser pai é retirar a alma de si mesmo e dizer: "tome, filha. Faça o que quiser da minha alma. E, quando devolvê-la ao meu corpo, faça com que ela empreste um pouco da sua alegria para mais uma semana de luta em que só pensarei em você. Vou à luta para continuar vendo seus olhinhos brilhando e sua covinha desenhando o sorriso mais lindo que já vi na minha vida". Amar é fazer a diferença.



Escrito por Luís Carlos às 03h02
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Guimarães Rosa disse uma vez que o mais bonito da vida é que as pessoas não nascem prontas, vão se terminando ao longo da vida. Pontuando minha velhice, vejo minha filha crescer. Está com seis anos, cada dia mais esperta, inteligente, bonita. Não quero para ela muita coisa do que fiz ou vi ou senti. Terá suas próprias experiências, e do que depender de mim, as mais alegres possíveis. Amadurecer é ver...o homem jovem faz tudo para ser visto, e o maduro quer apenas ver. De mim, apenas lamento uma vontade de viver impedida por uma timidez aguda. Minha timidez é ímã que me prende à minha casa. Recebo convites, recuso-os todos. Contrario Guimarães Rosa tristemente. Querendo me terminar ao longo da vida, não vejo como evoluir. Essa fuga da vida, essa auto-proteção...é tudo o que não quero para minha filha. Quando vejo-a tímida, logo a incentivo a fazer o que quer que seja. Não gosto dessa timidez.

Ao mesmo tempo que vivo em concha, mantenho este blog. Que contradição: me escondo para me expor. Ninguém quer viver em cavernas. Todos têm um jeito de mostrar seu lado bom de alguma forma. Infelizmente o que tenho de melhor é inútil. Observando pessoas na rua, parece que qualquer vida é mais interessante do que a minha. Andam, sofrem, namoram, resolvem. É impressionante como algumas pessoas conseguem conviver com a realidade. Uma vez perguntei a uma amiga o que ela faria após uma potencial separação, e ela me respondeu: "vou viver, Luís". Hoje aniversariei. Olho para minha filha, minha principal referência, e não sei descrever o que sinto. Vivi sempre sem norte. Sempre fui um inconsequente, um aventureiro em busca de atenção. Me tornei um tímido que faz de seu blog sua própria terapia. E terapia barata: basta pagar a conta do telefone.

39 anos. Já usei drogas, já dormi na rua, já fui amante de mulher casada, me casei, me separei, tenho uma filha que, quando tosse, me dói a alma. Meu maior problema é sempre esperar demais das pessoas. Uma vez, combinei com um amigo um horário para ele me pegar e dar carona a uma festa. Do horário combinado, ele demorou 40 minutos. Enfurecido, fechei a cara e lhe dirigi meia dúzia de insatisfações, no que ele me respondeu: "cara...por que você não me pergunta o por quê do meu atraso?" Meu maior defeito é esperar que as pessoas ajam do jeito que eu agiria. Às vezes sabemos qual é a doença e qual é a cura. Mas o caminho entre os dois extremos talvez se fará apenas com o auxílio de muletas.



Escrito por Luís Carlos às 02h26
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Não sei que tanto prazer sinto em ser só que me dedico um dia inteiro. Solidão é uma palavra bonita. É mergulho na alma, poço dos sentimentos. É aquele sonho da queda em que parece que nossa alma sai do corpo, e acordamos assustados, como se renascêssemos. Gosto da solidão. Do que não gosto, é ser sozinho. Ser sozinho é busca. É procurar alguém em quem depositamos tanta confiança a ponto de nos doar. Na solidão, essa busca não acontece. Gostamos tanto de nós que qualquer pessoa que apareça, estraga. Não queremos ninguém na solidão.

 

Minha maior dificuldade é me doar a alguém. Acho que minha solidão explica isso: sou tão egoísta comigo que o máximo que me permito é me emprestar. Me empresto às pessoas, se interessante me for. Mas faço com pressa, porque preciso muito de mim, e não suporto desperdícios. Ligo meu computador, leio Guimarães Rosa, ouço Mary J. Blidge, Echo and the Bunnymen, Esperanza Spalding. Ouço minha Eldorado, assisto Altas Horas. É tanto assunto pra mim mesmo que fico até cheio de um gostoso silêncio.

 

Hoje é sábado. A sair com amigos para um churrasco, preferi mais de mim e da minha casa cheia de silêncio. Fiz minha festa particular arrumando minha casa, lavando minha roupa e me dando mais de Clarice Lispector. A única coisa que não fazemos sozinhos é sexo. E sexo também é bom. Começo a pensar que nunca quis um amor, e sim, paixão. Daquelas que nos põe malucos, que nos faz sorrir quando estamos sozinhos, que arrepia a pele e nos dá vontade de comer com a boca. Daquelas que um beijo não sacia e o desejo é de entrar logo na pessoa. O único amor de que conheço é o dado por mim à minha filha. De resto, não sei o que é amor. Sei que sou egoísta, e não encontro mais prazer em conversar com alguém a ler Machado de Assis ou ouvir Sade. Esta foi a semana dos namorados. Ano passado, nesta mesma data, houve um show de jazz no parque Villa-Lobos que anunciei neste mesmo blog, na esperança de quem me lesse, lá me encontrasse. Ou não me leram, ou não me quiseram encontrar. De lá pra cá, descobri em Clarice Lispector o que melhor me descreve:

 

"Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue;outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho...o de mais nada fazer."

Nunca fiquei de fato feliz pelas conquistas alheias. Dias atrás, uma amiga me confidenciou que fora pedida em casamento. Eu fiquei tão contente que parecia ser eu o noivo. É muito bom escrever...de repente, vejo evoluções pontuais em mim, graças ao que mantenho aqui escrito. Amadurecer sozinho me faz querer melhorar. Bendita seja a minha solidão.  



Escrito por Luís Carlos às 02h14
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Uma das minhas maiores felicidades é permanecer amigo da minha ex-mulher. O que me admira são as pessoas que a todo momento afirmam que meu modo de convivência com ela e com seu atual marido não é uma coisa normal. Quando se cresce sozinho, quando se é sozinho, ficamos imunes aos preconceitos da sociedade. Nunca soube que, quando nos separamos, temos que ser inimigos da pessoa que dividiu a cama conosco por anos. Se isso fosse algum tipo de regra, estaria em algum código de convivência civil. Entendo que quem nos suportou por tanto tempo, dividindo intimidades, deve permanecer nossa amiga acima de qualquer outra coisa. Existe um ditado que diz mais ou menos isso: "não sabia que era impossível, foi lá e fez!". Eu não sabia que teria de virar inimigo dela; deve ser por isso que sou seu amigo.

E uma das minhas maiores felicidades é me tornar amigo do marido dela. Mais que isso: ganhei um irmão. Sei que não tive a capacidade de amá-la do jeito que ela merece. A culpa foi minha por não conseguir me apegar a ninguém. Quanto a isso, sinto um imenso vazio, típico de quem não viveu uma grande emoção ao longo da vida. Quando vejo seu jeito de tratá-la, seus olhos querendo se doar mais do que o possível, sua fala baixa, quase inaudível, dando a atenção de que ela necessita, não tenho como não me comover. Faz todos os gostos dela, se esquecendo até de si mesmo. Uma vez eu disse a eles: "vocês nasceram um para o outro...eu que fui o intruso nessa história". As letras de Deus são certas. As linhas que são tortas.  Djavan, em "Linha do Equador", diz: "se tivesse mais alma pra dar, eu daria". Certamente, se meu amigo tivesse mais alma, mais alma lhe daria.

Quando gostamos mesmo de alguém, queremos sua felicidade independente de qualquer coisa. O que me deixa mais comovido é seu tratamento dado a ela. É como se eu ficasse feliz com os gestos...pois vejo nele o marido que nunca consegui ser. Ontem fui xeretar o orkut. Vi uma foto dela no orkut dele e o seguinte comentário: "olhem como minha gata ficou!", se referindo ao retorno dela à sua antiga loirice. Mesmo com toda a minha sensibilidade, nunca cometi um gesto assim. Minha índole de brucutu nunca foi capaz de elogiar sua beleza, tão óbvia aos olhos de todo mundo. Inclusive aos meus. Ao ver seu comentário tão simples e singelo na foto do orkut, me emocionei e percebi que felicidade é para quem merece. Na vida, as coisas precisam ser praticadas. Como disse Machado de Assis: "A melhor definição do amor não vale o beijo da moça enamorada". Saber, sem praticar, é conhecimento desperdiçado. Hoje é domingo, dia de ver minha filha. Vou à casa deles almoçar e dividir histórias e risadas com esses meus amigos. E, silenciosamente, aprender mais um pouco de como se doar com esse homem maravilhoso. 



Escrito por Luís Carlos às 13h33
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Me incomoda o que os outros pensam. Uma coisa da qual gostaria de ser imune é ao pensamento alheio. O que me interessa são expressões faciais. Quando estou num local público, paquero rostos que velam pensamentos secretos. Numa ocasião, reparei uma moça no metrô que sorria maliciosamente de cabeça baixa, talvez se lembrando do beijo que tivera na noite anterior ou se recordando do pedido de namoro do rapaz querido. Impossível saber, na verdade: só sei que aquele sorriso de canto de boca tornou a menina ainda mais bonita. Imagens como essa me fixam à cabeça e me faz feliz junto com a pessoa.  

Mas o que me incomoda é a opinião alheia. Antigamente, me lixava pra isso. Eu gosto é de ser comum e absolutamente falível. Anos atrás, algumas pessoas me cobravam opiniões inteligentes até sobre a sexualidade da minhoca assexuada. Queriam saber se, na minha opinião, o minhoco existia. Exausto, eu tragava mais um gole e sonhava com a figura do redentor que iria me tirar daquela roubada. Só pessoas burras gostam de falar coisas inteligentes. Inteligente é saber ser, e não falar...não há nada mais feio que pessoas empolando o vocabulário para impressionar, fazendo soar falso e patético o que poderia ser tão naturalmente bonito. Bonito foi a moça do metrô que sentiu ali, no meio de tanta gente, o momento de reviver sua emoção. Aquilo foi quase uma poesia...ser natural, além de inteligente, é mais bonito.

Talvez o que mais me incomode mesmo é o que penso sobre mim. Reconheço na minha falta de humildade o meu pior defeito. Quando se cresce sem base e segurança, a falta de auto-estima cria o monstro da arrogância dentro de nós. Nunca vi uma pessoa bem criada ser arrogante. Em meu trabalho, existe um rapaz bastante (aparentemente) endinheirado que é querido por todos por ser humilde e atencioso. Não é sua situação financeira que faz dele querido, e sim o modo como trata as pessoas. A humildade impõe respeito; a arrogância o torna ridículo. O que admiramos nos outros é exatamente o que nos falta. Às vezes, um simples sorriso pode abrir portas blindadas. Em algum momento, nos esquecemos das lições mais simples que a vida nos ensinou. Jorge Ben sempre enalteceu a simpatia como bandeira da malandragem. "A minha simpatia é uma arma pra te conquistar". Tão simples e tão genial. Existem armas que funcionam melhor do que outras. Já conquistei pessoas com um sorriso. Já afastei pessoas com meu temperamento. O resultado é sempre uma perda. A idade é mesmo um vinho. Pode ser um vinho de qualidade ou não: vai depender sempre das pequenas uvas que colheu pelo caminho.



Escrito por Luís Carlos às 10h46
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E lá vou eu me expor de novo. Escrever, citando novamente uma amiga (que saudade!), estanca o sangue. O maior problema de um homem é crescer sem base, sem referência. No meu trabalho, a faixa etária não é maior do que 25 anos. Observo aqueles jovens, alguns com invejável carga de responsabilidade em seus 22, 23 anos, uns fazendo faculdade, outros já com sua casa e seu carro...e a pergunta é inevitável: o que fiz da minha vida?

Estou hoje com 38 anos, fazendo 39 em julho...não tive uma referência em minha vida, alguém que me desse bronca pelas cagadas que fiz, e continuo fazendo. Se é verdade que a vida começa após os 40, sem querer nem desejar, sou um exemplo disso. Hoje peguei o resultado dos exames que meu cardiologista me receitou. Disse que estou ótimo, e que posso me acabar nas pistas de atletismo. Está nascendo outro Usain Bolt.

Tenho me cuidado muito ultimamente para dar muitas broncas em minha filha. Não é fácil ser referência. Outro dia, num deslize mal-educado, joguei um papel de bala na rua. Minha filha, vendo meu nojento ato, me encheu de broncas...o tempo passa, meu caro. E uma pessoa sem referência não tem rumo na vida.

Escrever estanca o sangue, e o meu, segundo meu cardiologista, está ótimo. Hoje recebi um comentário num de meus textos que me encheu de oxigênio. Aliás, por muito tempo, este blog foi o meu mais fiel companheiro de alegrias, tristezas e vícios. Reconheço que escrevo bem, mas, como diz uma comunidade do orkut da qual participo, "meu talento não dá dinheiro". Mas me estanca o sangue. Abaixo, comentários que me fizeram me emocionar...

[LIZ]
Luiz te encontei por acaso , e li , para meu prazer essas palavras. Umas das coisas mais bonita que li nos ultimos tempos .Parabens

[Ana Paula] [www.paulabarreto.zip.net] [Música - Canção do Papai]
Lágrimas deslizando pelo rosto... garganta apertada, quase dolorida... emoção ao ler seu texto. Impressionante a forma como imprimiu emoção ao seu texto! fantástico mesmo!!! mcuriosamente, eu fiz um post sobre o dia das crianças, relembrando os bons momentos de quem foi criança na minha época... eu era muito apegada com o meu pai... até hoje é pra ele que eu corro em todas as horas, sempre vai ser o meu herói!!!

 [Hebert]
Desculpa comentar assim... mas seu post me fez chorar. Poxa, é interessante saber que ainda há pais que amam. Se hj há mtos jovens vazios, com certeza é pq há poucos pais transbordando. Pode ter certeza que sua filha ainda te dará muito orgulho, porque com certeza ela tem muito orgulho do pai que tem! Parabéns cara!


 [leilane] [www.rocknaveiaaa.blogspot.com]
Muito triste isso. Ao contrário de vc, já chorei muito por causa da morte. Hoje fazem 8 meses que meu vô morreu. A gnt só sente falta quando a gnt perde. Eu chorava sempre que me lembrava dele. Ainda hoje fico triste, mas sei que isto também trouxe coisas boas(por incrível que pareça). Você escreve muito bem, parabéns!

garota pé quente [cabeça fria??] [o de hoje é: Memórias póstumas de Brás Cubas ]
Isto me cheira mais a introdução que desfecho. E me lembra muito a advertência inicial que o malcriado Brás Cubas dá no início a seu leitor: “A obra em si mesma é tudo: se te agradar, fino leitor, pago-me da tarefa; se te não agradar, pago-te com um piparote, e adeus” (Lembrando que após este ‘adeus’ é que a narrativa começa). Você, querido Luis, cada vez mais ratifica o que eu disse uma vez: é um díscipulo machadiano – maquina tudo com digressões, citações, ironias, sarcasmos, além do texto requintado e extremamente convidativo; mesmo que aparentemente indiferente ao leitor, chama-o a deliciar-se. Encare tudo que escreveu como um prólogo e, agora sim, comece o miolo da narrativa. Não necessariamente aqui. (E aquele projeto do livro? Dê asas a ele!) Duvido que consiga deixar de escrever: além de libertar, estanca o sangue.

 [Gabi] [www.navidadagabi.zip.net]
Se cada desilusão amorosa rendesse um texto lindo como esse... desilusões seriam sempre muito bem vindas... beijoss

 [Joao Paulo] [joaodex.zip.net]
oi..um Parabens a sua filha e vc por ser um pai..exemplar.... o meu...nao é presente..e nem peço pro isso..pois tenhop minha mãe que ocupa o espaço dele...


 [Vanessa] [http://vem-prosear.blogspot.com]
Oi Luis... Sempre fico impressionada com esse seu jeito simples de escrever que torna os encontro das palavras bem mais bonito do que o normal. Seus post's são sempre agradaveis aos olhos, acho que por isso sempre chego aqui tão ansiosa. Adorei esse...Parabéns, isso é um dom!

 [Gabi] [www.navidadagabi.zip.net]
Só vou dizer uma coisa: "SINTA-SE FORTEMENTE ABRAÇADO". Obrigada por me me proporcionar a alegria de "ler você"...rsrsrs Bjs

 [Gabi] [www.navidadagabi.zip.net]
Sabe... até agora, de tudo que li no seu blog, não consegui discordar de absolutamente nenhuma palavra. Venho aqui de vez em quando, leio...leio... acho tudo lindo... Filhos são tudo de bom mesmo...Tenho três! Acho que o que você faz aqui é virar sua alma do avesso, que é pra gente poder entrar nela. Adoro! Beijo... Gabi


 [Brauner] [www.paginadobrauner.zip.net]
Parabéns cara, ótimo texto. Parabéns mesmo. Ah, e eu não sou pai e não posso transcrever o sentimento que você sentiu, mais posso sentir a emoção que você tem ao falar da sua filha

E ainda tem nossa querida Priscila Uyara, sempre tão gentil em seus comentários...saudades de você, Pri! Considero este blog a maior herança que posso deixar para minha filha. Aqui existem lembranças e declarações de amor que um dia eu espero que a emocione. Enquanto isso não acontece, vou vivendo minha vida sem referências...tentando ser a referência de mim mesmo, lendo e relendo meus próprios textos, na tentativa de que a recordação lida me seja como um pai e me faça crescer. Não sei se é sorte ter pai e mãe. Deveria ser dever. Sem referência, nada somos...e meu sangue está, mais uma vez, estancado.

 



Escrito por Luís Carlos às 19h23
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Há um ano, no mesmo dia das mães, escrevi um texto cheio de melancolia sobre essa data. Lembro-me de que vi mães e famílias inteiras dentro de um trem bastante cheio num dia de domingo. Foi o suficiente para me fazer chorar, lembrando a família que não tinha mais.  Hoje estou muito bem resolvido, sendo amigo do marido da mãe da minha filha. Minha filha...como tenho orgulho desta menina...nasceu há seis anos e já teve prova de história e de geografia! E ontem conversava comigo no MSN com mais desenvoltura do que algumas pessoas que não conseguem pôr uma vírgula sem separar o sujeito do predicado. Eu ficava besta com cada frase articulada por ela no computador. Acho que sou um babão.      

Sinto que coisas mudaram em mim daquele texto pra hoje. Em um ano muitas coisas acontecem, e não poderia ser diferente. Minha bisavó, já falecida, tinha uma maneira (ao meu ver, na época) estranha de resolver as coisas. Não mostrava desespero ao fato mais insolúvel que lhe acontecia. Sempre mantinha a pose daquelas senhoras elegantes de cabelos brancos, esbanjando charme diante de não ter dinheiro para a conta de luz. Maturidade é manter a elegância, sabendo que de nada vale cortar os pulsos diante de um problema. O tempo resolve todos os problemas.

Como minha avó, hoje ajo da forma mais natural possível. Há quem me julgue mais frio que antes...mas não é frieza. É a certeza de que o que tiver de ser meu, será. Sem ilusões ou esperanças. Hoje não troco meu sono por uma noite numa danceteria de músicas insuportáveis em tão igualmente insuportáveis decibéis só para ver se consigo beijar alguém. Sou mais de encontros casuais em Viradas Culturais...aliás, a Virada Cultural deveria acontecer mais de uma vez por ano. Que beleza foi o show em tributo ao disco Racional, do Tim Maia.

Bem, amigos. Minha vontade de escrever vomitou de mim ao blog, e aqui estou de novo. Como diz uma amiga, "escrever estanca o sangue". Vim estancar o meu, na velha e exibicionista intenção de ter algo a dizer. Prometo que virão textos melhores. Vou deixar-lhes em companhia de Lenine, uma poesia deliciosa que dedico a vocês, mães. Feliz dia para vocês! 



Escrito por Luís Carlos às 09h27
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Não há nada mais egoísta do que a morte. Ela chega, leva você e nunca mais o devolve. A morte é um substantivo feminino...e como tal, deveria vir acompanhada de graça e beleza. Mas que graça a morte traz? E qual a sua beleza? Não gosto da morte, muito embora já a tenha desejado. E sinto confessar que nunca derrubei uma única lágrima sobre alguém que com ela tenha ido. Tenho dificuldades em me relacionar, e não consigo me envolver com ninguém...isso me mantém imune ao ciclo final da vida. Mas não entendo isso como vantagem...só quem chora a falta de um amor vai dar mais significado à vida.

E ela fez mais uma vítima. Quando minha sogra morreu, anos atrás, a sensação de que tinha que proteger uma pessoa órfã me enchia de responsabilidades. Dessa vez, a morte levou a mãe de um amigo muito querido. Dona Jô era mãe do marido da minha ex-mulher...na minha vida, as coisas acontecem de formas impensáveis. Jamais me ocorreu de me tornar amigo de uma pessoa que divide a cama da minha ex-mulher...e, surpreendentemente, este homem se tornou um dos meus melhores amigos. Conheci dona Jô num churasco de dia dos pais, em que o único pai ali era eu...ela me fizera um churrasco de presente. Acho que pessoas especiais atraem pessoas também especiais...

Entendo que nossos maiores monstros são aqueles que a gente cria. As coisas nunca são da forma como pensamos. Não fui ao enterro de Dona Jô...imaginei não me sentir confortável em uma despedida na qual o último aceno seria dado à matriarca da família do marido da minha ex. Que bobagem...hoje, me martela a cabeça a injustiça que cometi com pessoa de tamanha alma e generosidade. Seu filho sentiu a minha falta como a de um amigo, daqueles que procuram um olhar acolhedor e que sabe que você o tem para lhe dar. Fui tão egoísta quanto a morte que nos trouxe a  ausência da sua mãe. Morte e egoísmo são as maiores manifestações de ausência. Por isso, Wilson, corri para as letras para lhe pedir desculpas pela minha falta, pelo meu egoísmo. Que a morte lhe faça o mesmo pedido, meu querido. Você não merecia tamanhos golpes.



Escrito por Luís Carlos às 01h52
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Meu blog fez um ano dia 30/12/2008. Lembro-me de que comecei com meu presunçoso nhenhenhem virtual num dia de absoluta solidão temperado com um calor de 30 graus e com uma coisa que "cabe em um olho e pesa uma tonelada", aquilo que Mano Brown descreve muito bem como uma gota de lágrima. Escrever um blog para mim, naquele momento, foi uma tentativa de interagir com pessoas, convidá-las a entrar num mundo bonito, de muita tristeza e poesia. Algumas pessoas atenderam meu apelo; outras, me criticaram. Nem sempre fui entendido, principalmente quando falava sobre fé. É impressionante como existem catequistas de plantão, mas não quero falar sobre isso hoje.

Sem medo nenhum de parecer monotemático, usei e abusei do amor que sinto pela minha filha, o único recíproco totalmente. Minha filha é linda. De uma mistura tipicamente brasileira, é uma morena de cabelos encaracolados e covinhas no rosto. Como a beleza é agradável...

Também fiz homenagens a pessoas que admiro e amo, e também ganhei admiração de uma das homenageadas, que, entre idas e vindas, até hoje me é muito especial.

Falei da minha ex-mulher, do marido dela, da minha ex-sogra, de uma moça casada com quem saía e que me fez deletar um texto lindo que fizera a ela. É, minha gente...fui principalmente bobo...hoje ela se foi e junto dela, meu texto do qual só me lembro que disse que o ato de amar era um advérbio, pois tinha o poder de mudar o próprio amor.

Acho que 2008 foi um ano bom. Cresci muito, foi um ano de muitas experiências. Não vejo mais a necessidade de manter esse blog. Também não vou deletá-lo, pois cada frase escrita aqui foi um trabalho beneditino, como diria Castro Alves: no aconchego do claustro, na paciência e no sossego, trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua! Escrever não é fácil, mesmo que tão inócuas palavras. Vá fazer melhor!

Bem, caros amigos...espero que o compartilhamento de minhas emoções lhes tenham servido, ao menos por um momento, de empatia e aconselhamento...que risos e lágrimas tenham modificado suas fisionomias atenciosas...que, por um momento apenas vocês tenham parado para pensar que a vida pode e deve ser melhor. Obrigado a todos, mesmo àqueles que me acharam um tolo exibicionista...ao menos dedicaram alguns segundos para me julgarem. Que venha 2009!




Escrito por Luís Carlos às 00h14
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Vaidade é azia queimando a alma. Por vaidade melhoramos ou pioramos. É ego prenho querendo luz. Conheço pessoas que já fizeram enormes bobagens por vaidade. Arrisco que vaidade é carência em exposição esperando a reflexão do outro. Assim: a pessoa está carente e tenta melhorar; e se arruma, e se perfuma, e se ajeita, na esperança de o outro vislumbrar seu esforço e admirá-lo. Vaidade é fogueira de almas...

Após mais uma desilusão amorosa, resolvi dar um tempo em meu blog. Nunca escondi que ele é um afago à minha alma carente e vaidosa. De repente, descobri que o maior afago que posso receber é aquele dado de mim a mim mesmo. Então, resolvi cuidar de mim. Mas, não mais que de repente, eis que visito o blog http://parafrancisco.blogspot.com/ e me vejo lá, lincado a um sem número de blogs...e acredito que com isso, fecho mais um ciclo em minha vida. Nem sei se a autora me lincou apenas por sua vaidade ser também tamanha, pois só associara ao seu blogs que já lhe deram algum tipo de propaganda. Todavia, é honra demais ter-me citado em sua página.

O rei da razão é o tempo. Minha desilusão amorosa se deu por não praticar coisas de que já sabia. Não obedeci ao Senhor da razão. Mas deu para aprender algo. Dizem que o reconhecimento também vem com tempo, se é que estes devaneios mereçam ser reconhecidos. Obedecer-lhe-ei, Senhor! E, para quem perguntar por mim, diga apenas que estou dando um tempo. Que vesti uma camisa listrada e saí por aí.



Escrito por Luís Carlos às 00h17
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Justamente quando decidi dar um tempo com minha amadora aventura literária (?), recebi uma indicação de "Melhor blog do ano" da minha amiga Ellen, do http://www.facetasdemim.blogspot.com/ . Obrigado, Ellen.

 



Escrito por Luís Carlos às 23h25
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Ela estava linda com seus cabelos cacheados e com um brilho nos olhos típico de quem está muito feliz. Assim que cheguei, deu-me um sorriso e pude ver seus olhos brilharem ainda mais. Deu-me também um abraço, seguido de um beijo. Em seguida, sentou-se em meu colo, onde amarrei seu tênis. Depois, esqueceu-se de mim...tinha mais o que fazer com seus amiguinhos da escola. Lembro-me de que, quando nasceu, acontecia de um poliítico de língua presa e peão de metalúrgica ganhar uma eleição para presidente do país. Um acontecimento simbólico para a sustentabilidade democrática brasileira. 2002 foi, particularmente, um ano de bastante alegria.

Ontem ela fez seis anos. Está alta como os pais, e linda, de uma cor tipicamente brasileira, resultado de uma mistura de peles que dão ao Brasil a particularidade de possuir as mulheres mais lindas do mundo. E como tal, presumo o quanto a minha filha vai me dar trabalho. O que mais na Bruna me chama a atenção são seus olhos alegres e brilhantes. Às vezes me pego pensando se vou querer ter outro filho. Tenho a sensação de que não consigo fazer duas obras tão perfeitas. Nem sempre se pode ser Deus.

E estavam todos lá. Seus amiguinhos de escola, tias, tios, a mãe com seu atual marido...e eu. Existe a história do "para quem vai o primeiro pedaço de bolo?", expectativa lúdica de receber um prêmio simbólico como se fosse um reconhecimento, uma homenagem a quem é tão querido pelo aniversariante. Quando crescemos, perdemos a espontaneidade característica das crianças, sendo poliíticos e diplomáticos para não causar constrangimentos. Em seus outros 5 aniversários, não me lembro de ter sido agraciado com tal gesto...e dessa vez, fui. Não me faço ausente na vida da Bruna: falo com ela todos os dias, e a visito pelo menos uma vez por semana. Sei que não é o suficiente, pois o ideal seria eu morar com ela, mas o mundo nem sempre é ideal. Ainda não avaliei a escolha dela por mim em ser agraciado em primeiro lugar, já que sua mãe estava ao seu lado e seu padrasto (palavra que abomino) é tão surpreendentemente maravilhoso para a minha filha. Mas pensei: será que ela sente a minha falta? Há um tempo escrevi neste blog que quero ser o herói dela, que me tome como referência e exemplo. Uma pretensão e tanto, mas suponho que sou capaz de torná-la real.

Hoje é dia dezesseis. Ontem foi seu aniversário, filha. Seis aninhos de um parto bastante complicado de seis meses de gestação e seis dias de UTI de um hospital. Dizem que seis é um número místico; os chineses atribuem mágica ao número oito; existem pessoas que até mudam o nome baseados em numerologia. Cada um acredita no que quer. Não sei se existem números mágicos, nem se há fé bastante em outros tipos de crença. Nem sempre se vê mágica no absurdo, como diz Lobão. Mas existe a mágica do que um filho pode fazer na vida de um pai...sempre fui muito independente e um pouco individualista, sem ingressar no egoísmo. Quando a Bruna nasceu, foi direto para a UTI, parto prematuro. Ir até o hospital todos os dias, passar o dia lá, comer por lá, ir direto para o trabalho, a alegria de trazê-la para a casa, suas cólicas noturnas, seus refluxos diários, choros noturnos embalados por canções, banhos, fraldas, latas e latas de leite NAN, idas ao hospital de madrugada por causa de uma simples gripe, o prazer de trocar sua fralda toda suja...que saudades. Saudades do cheiro do talco após seu banho tomado...dos seus primeiros passinhos, seus dentinhos crescendo, suas roupinhas tão lindas dadas pela tia...será que eu teria um segundo filho? É...existe mágica sim na vida de um homem quando se tem um filho. Acabou-me de acontecer uma: algumas linhas acima, afirmei que não teria um segundo filho...e agora, no final, minha opinião já mudou, só de relembrar o que passei com a minha filha. Obrigado por ter nascido, Bruna. Feliz aniversário.



Escrito por Luís Carlos às 08h59
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Sempre queremos a unanimidade. Buscamos isso, mesmo que não admitamos; por isso não concordo com Nelson Rodrigues, que disse que "toda a unanimidade é burra". Pelé e Maradona são os melhores jogadores do século; Machado de Assis, o mais genial escritor brasileiro; Chico Buarque, um excelente compositor. Até Nelson Rodrigues é uma unanimidade: não se pode ignorar seu talento. Unanimidade é um reconhecimento supremo.

Opiniões podem ser cruéis quando se permite. Eu quero ser unanimidade, e, quando isso acontece, o que começa a importar é a exceção. Todos que lêem meu blog o elogia (até onde se explicita a sinceridade), mas hoje eu recebi uma crítica demais sincera de uma pessoa que não gostou do meu blog. A moça mora no Rio de Janeiro e tem um livro publicado. Entre elogios platônicos da minha parte, ela seguia dizendo que meu tipo de texto não lhe interessa. Polido e galante, continuei elogiando a moça, que em seu blog tem um conto de que gostei muito, embora não tenha ainda um final. Disse que meu blog mais se parece com um diário, e eu me senti um adolescente emo. Não nutri nenhuma mágoa sobre a escritora, tampouco venho aqui tornar deste texto um desabafo. Foi uma opinião que eu aceitei de uma pessoa de quem pedi. Uma vez escrevi uma poesia. Dei-a à moça que a merecia e em seguida mostrei-a a um professor de literatura. Ele disse que minha poesia, cheia de aliterações e rimas ricas, era um lixo. Fiquei tão triste...minha vontade era tomar de volta da moça homenageada, que a adorou. Opiniões...o professor acabou comigo. A moça me encheu de beijos. A quem devo ouvir?

Minha amiga Priscila Uyara me ensinou a aceitar um elogio. Disse que tudo o que devo fazer é dizer um "muito obrigado". As coisas são simples, não? Eu nunca soube receber um elogio...mas quando a crítica vinha, tentava melhorar. As pessoas me elogiam muito por causa do meu blog, e aproveitando a deixa: muito obrigado! Obrigado Brauner, Priscila, Adriana, Gabi, Jéssica (que sumiu), Vanessa, e outras tantas pessoas que passaram por aqui, com menos assiduidade. Obrigado a você também, Ellen. Sua crítica me fará bem melhor...vai me tirar da minha zona de conforto...do meu lugar-comum. E Bruna, minha filha...eu te amo. Quero que você leia tudo o que seu papai escreveu. Se você me elogiar, minha obrigação será cumprida; se você me criticar, faça melhor. De qualquer forma, você terá uma referência positiva em sua vida. Só isso me interessa.



Escrito por Luís Carlos às 14h09
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Estava relendo algumas coisas em meu blog, e me deu uma certa nostalgia. Todos somos propensos a achar que em uma época passada, as coisas eram melhores, como se buscássemos redenção numa viagem introspectiva, interna, solitária. Lembrei da minha vida de casado, da minha sogra, e até de novelas que eu assistia. Muita coisa que ficou registrada aqui. Sinto meu sangue ferver toda vez que sinto algo bom. Saudade é uma suave ausência.

Existe uma música de uma banda chamada Counting Crows, cujo nome é Mr. Jones. Na música, o cantor diz que, se fosse bonito, tudo seria melhor; se fosse uma estrela, jamais ficaria só. É estranho como nos identificamos com algumas coisas. Já me peguei pensando bobagens deste nível. Deve ser muito agradável ter uma beleza evidente. Neste final de semana, fui a um aniversário de uma amiga. Entre conversas, bebedeiras e risadas, chega-me uma morena, alta, bonita. Cumprimentou-me com um sorriso branco e meu olhar fixou-se naquela moça tão fácil de se adjetivar. Mas, logo após os cumprimentos, nossos olhos não tinham o mesmo destino: os meus a admirava; os dela, me tornavam invisível (coisa que todo tímido quer ser...mas não naquela hora). Veio-me à cabeça o Sr. Jones da música:

De repente ela fica bonita
Todos nós queremos algo bonito
Eu queria ser bonito
Me passa uma garrafa, Sr. Jones
Acredite em mim
Ajude-me a acreditar em qualquer coisa
Eu quero ser alguém que acredita

Sr. Jones e eu contamos um ao outro contos de fadas
Fitamos as lindas mulheres
"Ela está olhando pra você. Ah, não, não, ela está olhando pra mim"
Quando todo mundo te ama, você nunca pode estar só
Eu pintarei meu retrato
Pintarei eu mesmo em azul em vermelho em preto e em cinza
Todas as cores bonitas são muito mais expressivas

Se sentimentos fossem concretos, nenhuma bomba seria feita de plutônio. Seriam feitas apenas de carência, timidez e solidão. Semana passada, minha filha me ligou, logo de manhã. A alegria dela é me acordar. Perguntou, com sua vozinha delicada, se senti meu rosto molhado na noite anterior. Até aí, eu não entendi nada...perguntei-lhe o por quê e ela disse: "papai, eu lhe mandei um beijo esta noite. Queria saber se você o recebeu". Fiquei arrepiado com tamanha manifestação de carinho. Existem coisas que preciso corrigir em minha vida, como esta maldita carência rolling stoniana que não consegue satisfação em lugar algum. Mas o que me deixa infinitamente feliz é que eu não preciso remoçar passado algum porque não preciso de redenção. Minha filha me redime.



Escrito por Luís Carlos às 07h51
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Descobertas fazem parte da nossa vida. Nada é tão falível quanto o ser humano. Quando descobri que não agradava a todos, naquelas ilusões adolescentes de quem quer ser infinitamente popular, fiquei triste. Quando percebi que é bem melhor ser alegre do que ser triste, fiquei feliz. Quando descobri que é amando que se é amado, fiquei ansioso por amar de novo. O tempo passa, e com ele, algumas das melhores e das piores coisas que temos. Sábio é quem, do tempo, tira proveito.

Descobri que não sou tão paciente quanto achava que era. Nesta semana fui à casa da minha filha. Conversamos, brincamos, nos beijamos, tudo em doses cavalares. Aí deu a hora de ela fazer sua lição...aí foi que me descobri impaciente, chato e implicante. Minha filha está acostumada com o modo de como a sua mãe faz as coisas. Pois bem...na tentativa de ajudá-la, tentei fazer as coisas da minha maneira. Talvez por estranheza, ou manha, a Bruna não me obedecia, simulando choros e bicos. Então me descobri falível. Perdi a paciência e disse a ela que, se quisesse ajuda em sua lição, que pedisse à mãe. E fiquei mais bicudo do que minha filha, em seus quase seis anos. Uma cena ridícula.

Mas o tempo vem e leva consigo as suas melhores e piores coisas. Sábio é quem, do tempo, tira proveito. Às vezes, é necessário uma boa queda para tirá-lo da sua zona de conforto. Fiquei pensando se eu amava a minha filha do jeito que penso que amo. Quase entrei em crise, exagerando as proporções dos acontecimentos. Mas não...sou um ser humano falível, e falhando vou aprendendo. Aprendendo que às vezes é necessário colocar-se no lugar do outro para tentar interpretar seus sentimentos. Se me viesse à cabeça o gesto humilde de perguntar à sua mãe como é a rotina da minha mimada filha, e de que forma elas fazem lição juntas, talvez eu teria mais sucesso e menos tristeza. Mas sábio é quem entende o tempo, e proveito tira. Da próxima vez, serei mais nobre e menos infantil. Vim para casa, liguei meu rádio na Eldorado e descobri Esperanza Spalding. E vi que o saldo foi positivo. Ainda bem que sou falível.



Escrito por Luís Carlos às 16h38
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